Limiar é mais alto desde janeiro de 2017, em 13%; 10º aumento consecutivo da taxa desperta preocupações no varejo

 

A taxa Selic subiu 1 ponto percentual para 12,75% ao ano de 11,75%, o maior nível desde janeiro de 2017, quando foi de 13%. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o novo aumento é excessivo e equivocado. A entidade disse em comunicado que o índice deve prejudicar ainda mais a atividade econômica que já mostra sinais claros de fraqueza.

 

No front industrial, o ritmo acelerado de aperto da política monetária piorou as expectativas de crescimento econômico em 2022, afetando negativamente a produção, o consumo e o emprego.

 

A alta de juros determinada pelo comitê de política monetária do banco central, que o mercado esperava há muito tempo, deve chegar ao fim. A expectativa agora é que as altas consecutivas estacionem. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da associação comercial de São Paulo, ressalta que, se o ritmo continuar, os aumentos de preços tendem a não ter impacto. “O que o banco central quer coibir é repassar esse aumento de custo para o preço final, mas isso não acontece mais 100%.

Portanto, essa transferência tornou-se menor. As empresas de varejo estão passando o preço mais baixo para o preço final. Um dia, se o ciclo das taxas de juros continuar subindo, se as taxas de juros continuarem subindo, esses aumentos não terão tanto impacto nessas transferências porque as transferências dependem da demanda, de encontrar vendas fortes. Se as vendas forem fracas, a capacidade de entrega é menor”, explicou.

 

A décima alta consecutiva de juros despertou preocupações no setor de varejo. Para os comerciantes, esse crescimento pode desanimar a economia e desanimar os consumidores, principalmente devido às previsões de crédito mais altas. “O aumento faz com que os juros do crédito ao consumidor aumentem e os prazos de financiamento diminuam. Com isso, o valor da parcela aumenta para os consumidores que querem comprar crédito. Além disso, os bancos acabam emitindo menos crédito porque isso aumenta o risco de inadimplência.

 

Então tudo isso dificulta a venda, principalmente os mais dependentes de crédito, eletroeletrônicos, veículos, que naturalmente os consumidores tendem a parcelar”, explicou o economista.

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