A tradicional associação entre estabilidade e ouro foi colocada à prova após um relatório do JPMorgan indicar que a volatilidade de 30 dias do metal precioso superou a do Bitcoin, alcançando o maior nível desde a crise financeira de 2008. O movimento surpreende o mercado, já que, desde a criação da criptomoeda, essa inversão ocorreu apenas duas vezes. Os dados reacendem o debate sobre qual ativo realmente cumpre melhor o papel de reserva de valor em momentos de incerteza.

Volatilidade do ouro supera a do Bitcoin e coloca em xeque tese de reserva de valor, aponta Mercado Bitcoin

De acordo com análise citada pelo Mercado Bitcoin, o ouro saiu da faixa de US$ 4.000 e atingiu cerca de US$ 5.600 — valorização próxima de 40% — antes de recuar rapidamente para US$ 4.400 em apenas três dias. A oscilação incluiu uma queda intradiária próxima de 10%, a maior em mais de uma década para o metal. Para especialistas, trata-se de um comportamento atípico para um ativo historicamente visto como porto seguro em crises econômicas e geopolíticas.

Enquanto isso, o Bitcoin atravessa um processo gradual de amadurecimento. Apesar de ainda registrar correções relevantes, sua volatilidade tem diminuído ao longo dos ciclos de mercado. No acumulado de 12 meses, o ouro avança cerca de 66%, enquanto a criptomoeda apresenta queda próxima de 21%, evidenciando que, mesmo com maior instabilidade recente, o metal mantém desempenho superior no período analisado.

No Brasil, dados do Mercado Bitcoin mostram que, durante o momento mais agudo da queda, o volume de compradores da criptomoeda foi 5,6 vezes maior que o de vendedores, sinalizando estratégia de longo prazo por parte dos investidores. O episódio reforça que tanto ouro quanto Bitcoin estão sujeitos a ciclos de alta e correção, e que a discussão sobre reserva de valor passa, cada vez mais, pelo equilíbrio entre risco, fundamentos e potencial futuro de cada ativo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *