O Bitcoin voltou a pressionar o mercado financeiro ao cair abaixo dos US$ 66 mil nesta quinta-feira (5), atingindo o menor patamar em cerca de 15 meses. A principal criptomoeda do mundo vem sendo impactada por um cenário global marcado pela aversão ao risco, o que tem afastado investidores de ativos considerados voláteis, como as moedas digitais.

Apesar de defensores do setor classificarem o Bitcoin como uma espécie de “ouro digital”, capaz de proteger o patrimônio em períodos de instabilidade, o movimento recente vai na contramão dessa tese.
Enquanto o metal precioso acumula forte valorização e ultrapassa recordes históricos, o Bitcoin já registra uma queda superior a 20% no ano, evidenciando a preferência do mercado por ativos tradicionais de proteção.
O ambiente geopolítico também contribui para a instabilidade. Tensões envolvendo os Estados Unidos, ameaças de novas tarifas comerciais, conflitos diplomáticos e episódios de instabilidade política internacional aumentaram a cautela dos investidores.
Paralelamente, avanços rápidos em inteligência artificial têm gerado incertezas no mercado acionário, elevando indicadores de medo, como o índice VIX e o Índice de Medo e Ganância, que seguem em zona negativa.
Além disso, fatores específicos do setor cripto pesam sobre os preços. A falta de avanços significativos nos ETFs de Bitcoin, a redução do interesse institucional e declarações do Tesouro dos EUA descartando qualquer atuação para estabilizar o mercado reforçaram o pessimismo.
Historicamente, o Bitcoin já enfrentou ciclos de fortes quedas, seja por crises de confiança, ataques hackers ou pressões regulatórias, o que mantém investidores atentos a novos desdobramentos.